XXII INTERNATIONAL MEETING OF PAULO FREIRE INSTITUTES

CARTA DE PARIS

            Nós, membros do Conselho Mundial dos Institutos Paulo Freire, educadores, pesquisadores e militantes dos movimentos de Educação Popular, referenciados legado de Paulo Freire, que, das diversas parte do mundo, inscreveram-se no XII Encontro Internacional do Fórum Paulo Freire, realizado em Paris, França, nos dias 16 e 17 de setembro de 2021, cujo tema é “Educação, Gênero e Migração em um Contexto de Aumento do Ódio Online”, considerando:

            1.º) que as novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) potencializaram, como nunca, positiva e negativamente, as possibilidades de comunicação e da aproximação humanas;

            2.º) que a acumulação capitalista globalizada vem exacerbando as desigualdades econômicas, sociais, políticas, de gênero, étnico-raciais, religiosas e culturais, intoleráveis, que acabam provocando deslocamentos massivos, extremamente arriscados, de populações atingidas pelas guerras e empobrecidas, para os países em que imaginam a possibilidade de terem uma vida mais segura e mais digna;

            3.º) que os deslocamentos demográficos acabam por desembocar numa violência física e simbólica de grau até agora desconhecido e que determinados segmentos sociais dos países de destino acabam se valendo das TICs para  propagarem, por meio do discurso  e de ações de xenofobia, todo tipo de discriminação contra os migrantes, atingindo de modo mais cruel mulheres, crianças e idosos;  

            4.º) que, valendo-se, também, das TICs, em geral, os mesmos segmentos sociais radicalizam suas proclamações étnico-racistas, classistas, homofóbicas e de discriminações de toda espécie e, finalmente,

            5.º) considerando que o Planeta e todo o patrimônio cultural nele construído pela humanidade pertence a todas e a todos, independentemente de origem, de grupo étnico-racial, sexo, classe social, orientação sexual, política, religiosa ou cultural,

            PROCLAMAM:

            1.  Sua incondicional repulsa a toda e qualquer forma de discriminação e, mais ainda, de exclusão econômica, social, política, étnico-racial, sexual, religiosa, de gênero e cultural, bem como sua inarredável solidariedade para com os migrantes, populações em movimento e refugiados de todas as partes do mundo, buscando promover sua recepção humana em qualquer país de destino.

            2. Sua oposição veemente a toda e qualquer forma de discurso, gesto ou ação de ódio, seja presencial, seja por meio digital, contra pessoas e instituições, legítima e democraticamente constituídas, instando para que tais atitudes sejam criminalizadas pelo corpus normativo de todos os países do mundo.  

            3. A necessidade da democratização das TICs, para que todos, igualmente, possam delas lançar mão para a promoção do diálogo e da união entre as pessoas que resistem e lutam contra toda forma de discriminação, exclusão, perseguição e opressão promovidas por aqueles(as) que delas fazem uso para as finalidades da violência e da barbárie, defendendo a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a justiça e a democracia como valores universais. 

            4. Sua esperança na desalienação das maiorias, pela educação emancipadora, seja no sentido da superação do fatalismo em que lançou determinados segmentos à condição de “esfarrapados e esfarrapadas do mundo”, seja no da “naturalização” das desigualdades pelas elites opressoras, já que, como Freire, estamos convencidas e convencidos de que a esperança é determinação ontológica da espécie humana.

            5. A convicção de que o legado de Paulo Freire está mais atual do que nunca, no sentido da resistência e da luta contra toda e qualquer forma de opressão contemporânea, considerando que suas categorias de análise e de militância constituem ferramentas importantes para a construção de um mundo no qual ainda seja possível amar e que, por isso, dá continuidade ao avanço dos processos de desenvolvimento sustentável do Planeta.

Paris, 17 de setembro de 2021.

            Seguem-se a assinaturas dos presentes e de todos os aderentes à Carta de Paris.

LETTRE DE PARIS

Nous, membres du Conseil Mondial des Instituts Paulo Freire, éducateurs, chercheurs et militants des mouvements d’éducation populaire, avons fait référence à l’héritage de Paulo Freire, qui, de différentes parties du monde, s’est inscrit à la XIIe Rencontre internationale du Forum Paulo Freire, tenue à Paris, France, les 16 et 17 septembre 2021, dont le thème est « Éducation, genre et migration dans un contexte d’augmentation de la haine en ligne », et considérant :

            1e.) que les nouvelles Technologies de l’Information et de la Communication (TIC) ont potentialisé, comme jamais auparavant, positivement et négativement, les possibilités de communication et de rapprochement humain ;

            2e.) que l’accumulation capitaliste mondialisée a exacerbé des inégalités économiques, sociales, politiques, de genre, ethniques-raciales, religieuses et culturelles intolérables, qui finissent par provoquer des déplacements massifs et extrêmement risqués de populations touchées par les guerres et appauvries, vers des pays où ils imaginent la possibilité d’avoir une vie plus sûre et plus digne;

            3e. ) que les changements démographiques aboutissent à des violences physiques et symboliques d’un degré inconnu jusqu’à présent et que certains segments sociaux des pays de destination finissent par utiliser les TIC pour propager, à travers des discours et des actions xénophobes, toutes sortes de discriminations à l’encontre des migrants, frappant les femmes , les enfants et les personnes âgées plus cruellement ;

            4e.) que, profitant aussi des TIC, en général, les mêmes segments sociaux radicalisent leurs proclamations ethnoracistes, classistes, homophobes et discriminatoires de toutes sortes et, enfin,

            5e.) Considérant que la Planète et tout le patrimoine culturel construit sur elle par l’humanité appartient à tous, sans distinction d’origine, d’ethnie-racial, de sexe, de classe sociale, d’orientation sexuelle, politique, religieuse ou culturelle,

            PROCLAMENT:

            1. Son rejet inconditionnel de toute forme de discrimination et, en outre, d’exclusion économique, sociale, politique, ethnico-raciale, sexuelle, religieuse, de genre et culturelle, ainsi que sa solidarité indéfectible avec les migrants, les populations en mouvement et les réfugiés du monde entier, cherchant à favoriser leur accueil humain dans n’importe quel pays de destination.

            2. Son opposition véhémente à toutes les formes de discours, gestes ou actions haineux, en personne ou numériquement, contre des personnes et des institutions légitimement et démocratiquement constituées, exhortant à ce que de telles attitudes soient criminalisées par le corpus normatif de tous les pays du monde.

            3. La nécessité de démocratiser les TIC, afin que chacun, de manière égale, puisse les utiliser pour promouvoir le dialogue et l’unité entre les personnes qui résistent et luttent contre toutes les formes de discrimination, d’exclusion, de persécution et d’oppression promues par elles.) qui en font usage. à des fins de violence et de barbarie, défendre la liberté, l’égalité, la fraternité, la justice et la démocratie comme valeurs universelles.

            4. Son espoir dans la désaliénation des majorités, dans l’éducation émancipatrice, que ce soit dans le sens de dépasser le fatalisme dans lequel elle a jeté certains segments dans la condition de « parties du monde en lambeaux et en lambeaux », ou dans la « naturalisation » de inégalités par des élites oppressives, puisque, comme Freire, nous sommes convaincus et convaincus que l’espérance est une détermination ontologique de l’espèce humaine.

            5. La conviction que l’héritage de Paulo Freire est plus actuel que jamais, dans le sens de la résistance et de la lutte contre toute forme d’oppression contemporaine, considérant que ses catégories d’analyse et de militantisme sont des outils importants pour la construction d’un monde dans lequel il est encore possible d’aimer et qui, par conséquent, continue de faire avancer les processus de développement durable de la planète.

Paris, le 17 septembre 2021.

(Elles sont suivies des signatures des personnes présentes et de tous les adhérents à la Charte de Paris.Paris, le 17 septembre 2021.)

PARIS CHARTER

            We, members of the World Council of Paulo Freire Institutes, educators, researchers and activists of Popular Education movements, referenced the legacy of Paulo Freire, who, from different parts of the world, enrolled in the XII International Meeting of the Paulo Freire Forum, held in Paris, France, September 16th and 17th, 2021, whose theme is “Education, Gender and Migration in a Context of Increasing Online Hate”, considering:

            1st.) that the new Information and Communication Technologies (ICTs) have potentialized, as never before, positively and negatively, the possibilities of communication and human approximation;

            2nd.) that the globalized capitalist accumulation has been exacerbating intolerable economic, social, political, gender, ethnic-racial, religious and cultural inequalities, which end up causing massive, extremely risky displacements of populations affected by wars and impoverished, to countries where they imagine the possibility of having a safer and more dignified life;

            3) that demographic shifts end up in physical and symbolic violence of a degree unknown until now and that certain social segments in destination countries end up using ICTs to propagate, through discourse and actions of xenophobia, of all kinds of discrimination against migrants, hitting women, children and the elderly more cruelly;

            4th) that, also taking advantage of ICTs, in general, the same social segments radicalize their ethno-racist, classist, homophobic and discrimination proclamations of all kinds and, finally,

            5th.) considering that the Planet and all the cultural heritage built on it by humanity belongs to everyone, regardless of origin, ethnic-racial group, gender, social class, sexual, political, religious or cultural orientation,

            PROCLAIM:

            1. Its unconditional rejection of any and all forms of discrimination and, even more, of economic, social, political, ethnic-racial, sexual, religious, gender and cultural exclusion, as well as its unyielding solidarity with migrants, populations in movement and refugees from all over the world, seeking to promote their human reception in any country of destination.

            2. Its vehement opposition to any and all forms of hateful speech, gesture or action, whether in person or digitally, against legitimately and democratically constituted persons and institutions, urging that such attitudes be criminalized by the normative corpus of all countries of the world.

            3. The need for democratization of ICTs, so that everyone, equally, can use them to promote dialogue and unity among people who resist and fight against all forms of discrimination, exclusion, persecution and oppression promoted by them. ) that make use of them for the purposes of violence and barbarism, defending freedom, equality, fraternity, justice and democracy as universal values.

            4. Its hope in the dis-alienation of the majorities, for emancipatory education, whether in the sense of overcoming the fatalism in which it launched certain segments into the condition of “ragged and ragged parts of the world”, or in the “naturalization” of inequalities by oppressive elites, since , like Freire, we are convinced and convinced that hope is an ontological determination of the human species.

            5. The conviction that Paulo Freire’s legacy is more current than ever, in the sense of resistance and struggle against any and all forms of contemporary oppression, considering that his categories of analysis and militancy are important tools for the construction of a world in which it is still possible to love and which, therefore, continues to advance the planet’s sustainable development processes.

Paris, September the 17th., 2021.

These are followed by the signatures of those present and all adherents to the Paris Charter.

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